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Debora Santiago – Vamos agroflorestar, 2020

R$3.500,00

Debora Santiago
Vamos agroflorestar, 2020
Aquarela sobre papel
35 x 50 cm

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Descrição

Debora Santiago (Curitiba, 1972) vem desenvolvendo sua produção desde meados dos anos 1990, sempre teve o desenho como prática fundamental, embora sua obra também inclua outras linguagens – escultura, instalação, vídeo-arte, performance. Impulsionada pela observação da natureza ao redor e as mudanças perceptíveis com a passagem do tempo a artista utiliza procedimentos diversos em suas obras. A ideia de fluidez permeia boa parte das obras, no texto, intitulado “Um Percurso por Águas”, a artista e pesquisadora Daniela Vicentini percorre vários momentos da trajetória da artista. “Logo que me debrucei sobre os trabalhos de Debora Santiago uma imagem contundente me ocorreu. A de que seria possível aproximar muitos deles, assim como a atmosfera que o conjunto de sua poética inspira, com qualidades da água.”

Sobreposição, acumulo e dissolução também estão presentes na série de desenhos com frases trazendo discussões sobre agroecologia, práticas agrícolas que preservam e respeitam o meio ambiente e toda a vida ao redor. Os desenhos são realizados em aquarela sobre papel, técnica utilizada pela artista desde o inicio de sua produção artística. O uso de palavras e frases e o tratamento gráfico dos desenhos busca um diálogo mais direto com o público, se aproximando de cartazes. Essa é também uma possibilidade dos desenhos quando reproduzidos, ampliados, colados e distribuídos em situações diversas.

A serie foi iniciada em 2018, apos algumas ativações da obra “Tudo junto e misturado”, em que pequenos vasos de cerâmica são construídos com o público e posterior troca de mudas e plantio nos vasos. A artista observou a atenção dos/das participantes e cuidado com as plantas, muitas pessoas não conviviam com plantas em seu ambiente doméstico e sensibilizaram-se com a ação de plantio. A frase também relaciona-se com as escolhas do que plantar, num pais com grandes áreas de monoculturas, plantar mandioca e banana sem veneno é também uma escolha política.

Desde então a artista vem trabalhando na série, com frases que relacionam-se ao seu dia-a-dia que inclui atividades de agricultura urbana, passeios para identificação de plantas e ida as feiras agroecológicas. O contato com agricultores e agricultoras são uma rica experiência de troca sobre as plantas cultivadas, muitas delas não estão nas grandes redes de supermercados que buscam uniformizar os produtos, como as batatas-doces que apresentam uma diversidades de cores e sabores: rosas, laranjas e roxas em combinações diferentes com a casca e a polpa.

A troca de saberes proporcionada entre pessoas que cultivam seu alimento com atenção e respeito à toda vida ao redor tem ampliado o conhecimento da artista sobre as hortaliças tradicionais, também conhecidas como PANCs (plantas alimentícias não convencionais). Da capuchinha, planta que apresenta flores comestíveis de diversas cores e utilizada em saladas, também é possível comer suas folhas e sementes.

As hortaliças tradicionais, ou PANC’s são conhecidas por proporcionarem diversidade na dieta alimentar, valor nutricional e adaptabilidade, já que são plantas que preservam sua rusticidade, e por representarem uma grande herança cultural. Entre elas estão: major-gomes, beldroega, taioba, bertalha, peixinho, ora-pro-nóbis, muricato, almeirão-de-árvore, vinagreira, amaranto, caruru, jambu, cará-do-ar, maxixe-do-reino, serralha, plantas que muitas vezes são vistas como mato.

Muitas dessas plantas possuem também diferentes formas de preparo. Assim como a mandioca, que mesmo sendo um alimento bem conhecido no Brasil possui vários produtos extraídos dela: farinha crua, farinha torrada, beiju, tapioca, polvilho, tucupi, carimã. A frase “Saudemos a mandioca” é da nutricionista Neide Rigo, que em seu blog Come-se comenta e dá receitas dos vários usos culinários da mandioca.

Muitos dos usos e produtos extraídos da mandioca fazem parte da cultura alimentar dos nossos povos originários. A cultura de um povo se expressa nos costumes, nas crenças, nas criações e também na culinária.

Conhecer as plantas alimentícias da sua região e seus modos de preparo, saber e poder cultivar e beneficiar seu próprio alimento propicia a soberania alimentar de um povo.

Existem diversas formas de cultivo agroecológico, ou seja, que respeitam a natureza e a vida ao redor. Por isso, “Sem feminismo não há agroecologia”, “Se tem racismo não há agroecologia”, nenhuma forma de opressão deveria permanecer num ambiente em que se buscam trocas justas entre todes.

Dentre os vários modos de produzir alimento de forma agroecológica temos a agrofloresta, um conjunto de técnicas e princípios que reconciliam agricultura e regeneração da paisagem. E o Bem Viver são valores e saberes de povos originários do Sul global que, elaborados a partir da cosmologia e filosofia andina em que natureza e ser humano são indissociáveis, se expressam como afirmação política da possibilidade de modos de vida e como resistência ao sistema moderno-colonial-capitalista. A frase foi criada em parceria com o agricultor Raimundo Dalgbert durante o XI Congresso Brasileiro de Agroecologia em Sergipe.

Nas terras degradadas em que são implantadas as agroflorestas é possível perceber o ressurgimento de nascentes e o reaparecimento de espécies de fauna nativa, por isso muitos/as agricultores/as nessas áreas dizem “Água se planta”.

Segunda à Sexta
Das 10h as 12h e das 13h30 as 17h

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R. Francisco Rocha, 62, Batel, Curitiba | PR

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