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Marta Neves – solução 3, 2020

R$1.500,00

Marta Neves – solução 3, 2020.
Da série “Solução de Equilíbrio”
Fotografia
18,6 x 30 cm
Tiragem única
*QUEM ADQUIRIR UM TRABALHO, GANHA UM LIVRO DE ARTISTA COM OUTRAS FOTOS DA SÉRIE “SOLUÇÃO DE EQUILÍBRIO” (EDIÇÃO DE 2017)

Categoria:

Descrição

Sobre a série:

Dia desses o ônibus parou num cruzamento no centro da cidade e apareceu a primeira imagem, numa dessas lojas que é um puxado de comércio que invade o passeio. Era um toldo desbotado, torto, que se equilibrava em qualquer coisa como metal ou cabo de vassoura. E para dar a compensação geral da cobertura (o toldo tendia a empinar), ia dependurada uma lata de cerveja cheia de areia em cada quina da frente. Estava lá a cena em todo o esplendor de sua falta de graça. Tinha uma precariedade que se resolvia, austera, bruta, indiferente. Era um cachorro feio e cheio de si. Uma situação tão metida a dar certo que o nome saiu imediato: “Solução de Equilíbrio”. Foi possível sacar o celular e tirar duas fotos. Há um problema nesses achados de ônibus – o celular tem um lapso de tempo pra funcionar e a gente perde muitas chances nessa angústia. Mais uma ou duas situações parecidas vieram no mesmo dia – nenhuma com a mesma (im)precisão dessa do toldo. Quando fui baixar as fotos, o toldo tinha sido eliminado fantasmagoricamente do celular, da nuvem, de tudo. Nunca mais. Voltei ao lugar, ruas perto dele, nada. Sumiram as latas, a loja, a cobertura, as vassouras. A primeira “Solução de Equilíbrio” é decididamente uma memória, uma morte feia e cheia de si.

De lá pra cá tento resgatar o equilíbrio perdido que, como dá para perceber, nunca foi equilíbrio de fato. E seguem imagens com alguma simetria encontrada, equivalências de cor que aparecem por acaso, fabricações de estabilidades precárias e prontas pra cair. Cada uma delas é uma invenção de contenção do desmoronamento, é uma evidência do equilíbrio instável e impossível. É um projeto mal elaborado, sem muito método, é uma espécie de erro acertado provisoriamente. A ideia de solução é mais absurda talvez que a de equilíbrio. As duas juntas, então, são uma gafe. Daí falar agora mais do que não está presente do que daquilo que aparece nas fotografias, porque várias vezes a tentativa de registro falha. Há câmeras melhores – mas essas não têm solução. Há equilíbrios de laboratório, mas sem a empáfia das latas com areia. Acho que a ideia de um toldo me persegue. Tentei um registro de uma varanda cuja cobertura foi solucionada incrivelmente com banners de propaganda política achada ou ganhada pelo dono da casa. Mas as fotos não tinham o brilho do improviso. Também me lembro de um colchão dividido ao meio pelo muro de uma casa aqui na minha rua, dependurado pra secar, sem pudor dos vizinhos. Tentei tirar a foto mas não dava ângulo, não dava luz, não dava recuo ou aproximação; na verdade, não há solução de equilíbrio e as melhores fotos nunca existiram. O celular é ruim, o equilíbrio também. Tem que ser assim.

Marta Neves. Belo Horizonte/MG, 1964. Vive e trabalha em Belo Horizonte.

Formada em Desenho e Cinema de Animação pela Universidade Federal de Minas Gerais. Obteve o título de mestre em Artes Plásticas pela mesma instituição em 1999.

O trabalho da artista é um exercício de sarcasmo sobre a arte e o sistema que a envolve. A crítica, o mercado, a mídia especializada e o próprio artista são afrontados por suas obras com humor corrosivo.

Participou de exposições no Memorial da América Latina, Baró Galeria, Museu de Arte Moderna de São Paulo e 31a Bienal de São Paulo. Tem trabalhos nas coleções Gilberto Chateaubriand, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e no Centro Cultural Arthur Bispo do Rosário, no Rio de Janeiro.

https://ybakatu.com/marta-neves/

Segunda à Sexta
Das 10h as 12h e das 13h30 as 17h

+55 41 3264-4752

R. Francisco Rocha, 62, Batel, Curitiba | PR

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