SP-Arte Viewing Room

SP-Arte Viewing Room

Convergência adaptada

Natureza, paisagem, apropriação, simbolismo, subversão, política e questões da forma percorrem a obra destes 11 artistas que trazemos para esta edição da SP-Arte Viewing Room.

Podemos refletir diante das pinturas de Tatiana Stropp, um horizonte imaginário sutil e delicado. Assim como adentrar as florestas de carvão e pastel de Fernando Augusto e perceber a penumbra da floresta, os respingos e perceber que o artista esteve ali. Já Marcus André observa elementos construtivos e desconstrutivos embrenhando narrativas orgânicas e vestígios de uma natureza contaminada por paisagens interiores, pelo industrial e pelo humano.

De uma outra vertente, outros 5 artistas que tem a ideia do jogo e de apropriação em comum em suas produções. Isaque Pinheiro trabalha com escultura e faz uso de objetos do cotidiano descontextualizados, ready-made também é um elemento em comum com o trabalho de Washignton Silvera, que se apropria da imagem de objetos e os materializa com dimensões e formas alteradas, diferente de Alex Flemming que se apropria de objetos para servirem de suporte para sua pintura. Já Marta Neves se apropria de imagens e insere conteúdos que se relacionam com nossa situação política atual, criando um jogo irônico de linguagem. Enquanto Claudio Alvarez propõe desafios ao olhar, jogos de espelho, iluminação e movimento, elementos que formam seu amplo repertório de jogos visuais.

Literatura, cinema, psicanálise entre outras linguagens servem como ponto de partida para as obras de Lígia Borba, assim como Hugo Mendes que busca no corpo e na natureza gatilhos para a criação de suas curiosas formas. C. L. Salvaro reúne elementos do entorno urbano, materiais e resíduos, encontrados ao acaso, ressignificando espaços existentes evidenciando mudanças e transformações.

Alex Flemming apresenta uma obra da sua série ‘Anaconda’. Em 2017 a série foi exposta na casa-museu Ema Klabim. “A série ‘Anaconda’ aborda questões políticas usando o tapete como alegoria cultural, isto é, como um território tecido através dos séculos, cujas tramas realçam a beleza, a tradição da cultura persa e do mundo islâmico. Por outro lado, com a inserção da serpente, mostra também o animal perigoso dos confrontos violentos e dos radicalismos crescentes entre as culturas judaico-cristã e islâmica”. (Fábio Magalhães)

Alex Flemming
“Sem Título”da série “Anaconda”, 2015
Acrílica sobre tapete persa em lã

134 x 220 cm

A velocidade, o tempo, o espaço. Uma trajetória em suspensão, onde o presente e o passado habitam o mesmo espaço. A simultaneidade real e ilusória seriam uma representação possível de nossa existência. O objeto nos apontaria duas direções pertencentes a um mesmo lugar?

Claudio Alvarez
“Alvo”, 2020
Aço inox, madeira, espelho, fórmica e imã
55 x 25 x 15 cm

Uma horizontalidade onde, em ritmos diferentes, o tempo é, ao mesmo tempo, aqui e lá. Ritmos diferentes de tempo compartilham o mesmo espaço e a cada oscilação dividem em dois, minutos e segundos. As contas não coincidem. O tempo não é exatamente preciso.

Claudio Alvarez
“Tempo Paralelo”, 2020
Aço inox
45 × 165 × 14 cm

C. L. Salvaro
“cruzado”, 2020
20 x 12 x 2 cm

Esse resquício de construção guarda na sua forma a semelhança com um mapa da América do Sul rompido, dado que o localiza geograficamente de modo amplo. a ruína reflete o tempo, um processo lento e quase imperceptível. Cruzado se refere às marcas paralelas de oxidação que atravessam a peça na vertical, ao rompimento que as cruzam ortogonalmente, ao tempo impregnado nesse fragmento desde a junção dos materiais até o presente.

C. L. Salvaro
“canto com semente”, 2020
Fragmento de construção, gesso, pigmento e resina

10 x 13 x 16 cm

Essa semente surge da aproximação de resquícios arquitetônicos e experimentos escultóricos, feita especificamente para ocupar o canto. Nessa série são exploradas formas com aparências orgânicas derivadas de moldes e observaçõees de objetos industrializados, que refletem na constituição do próprio objeto.

Desenhos em grandes e pequenas dimensões, “Paisagens” é uma série criada a partir de viagens à Amazônia e incursões na Mata Atlântica. Utilizando carvão, pastel e às vezes tinta, em tons monocromáticos, o artista recria o ambiente fechado e úmido das florestas.

Fernando Augusto
“Paisagem Atlântica”, 2019
Carvão e pastel sobre papel

100 x 220 cm

Fernando Augusto
“Paisagem Próxima”, 2018
Carvão e pastel sobre papel

300 x 110 cm

Escultura, pintura e desenho são os principais instrumentos que Hugo Mendes utiliza para abordar questões diversificadas no campo poético. Atualmente pesquisa o imaginário do corpo no campo escultórico, seja através ou pela imagem simbólica de detalhes do corpo, com suas devidas desproporções e com a combinação de elementos díspares, convertendo-os em seres ou corpos independentes. Procedimento que propõe um diálogo entre o trabalho e o erotismo, a sedução e o estranhamento.

Hugo Mendes
“Sem título”da série “Memento ou O cair das folhas”, 2020
Imbuia, laca, nitrocelulose e verniz

13 x 57 x 14 cm

Hugo Mendes
“Sem título”, 2020
Nó de pinho, carvão, resina, laca e verniz poliuretano

30 x 55 x 18 cm
(obra indisponível)

Estas obras foram peças centrais para a exposição AcorDo Rei, idealizada e realizada para o Paço Imperial no Rio de Janeiro em 2018. A carta de baralho com a figura do governante monarca, o Rei, foi desmontada por Isaque que criou uma matriz para cada cor. Através dessas matrizes ele desenvolveu um exercício de impressão sobre papel que deu origem a uma metáfora ao redor da democracia, onde só com todas as cores em cima da mesa, em diálogo, é que se pode ambicionar a figura do governante ou do governo pleno.

Isaque Pinheiro
“AcorDo Rei”
, da série “Matriz azul”, 2018
Madeira entalhada
83 x 59 cm

Isaque Pinheiro
“DobraRei #2”
, 2018
Impressão a jato de tinta, verniz acrílico e compensado
41 x 62 x 0,5 cm

A carta de baralho com a figura do governante monarca, o Rei, foi reconstruída por Isaque com impressão em jato de tinta sobre compensado e dobradiças em suas articulações.

Questões lacanianas inspiram Lígia Borba na busca pela forma desses objetos utilizando a cerâmica como material. “Alguns objetos topológicos estavam na minha lista de curiosidades nos últimos tempos e eu já tinha feito alguns ensaios com a cinta de Moebius, com os Toros, com o nó Borromeano, e esses trabalhos estavam tomando a minha obsessão por espacialização”.

Lígia Borba
Série “5 Nós”,
Cerâmica
6 x 59 x 9 cm. (aprox. dimensões variáveis)

Ligia Borba
“Garrafa de Klein”, 2020
Cerâmica
30 x 27 x 18 cm

A garrafa de Klein é uma superfície não orientável, isto é uma variedade bidimensional que não possui interior ou exterior, mas a garrafa de Klein de Ligia, por ser opaca, se apresenta mais como a representação de nossas cabeças, remetendo ao dentro e fora de nossos corpos.

Marcus procura observar elementos construtivos e desconstrutivos embrenhando narrativas orgânicas e vestígios de uma natureza contaminada pelo industrial e humano, paisagens interiores.

Marcus André
“Sem Título”da série “Nos Dias do Mar”, 2017
Tempera e encaustica sobre tela

102 x 104 cm

O trabalho da artista é um exercício de sarcasmo sobre a arte e o sistema que a envolve. A crítica, o mercado, a mídia especializada e o próprio artista são afrontados por suas obras com humor corrosivo.
Em “Cenas para uma vida melhor” Marta Neves traz bordados delicados feitos em lantejoulas e missangas, que fazem um contraponto irônico ao seu conteúdo carregado com referências políticas.

Marta Neves
“Bandeira”da série “Cenas para uma vida melhor”, 2020
Bordado com miçangas e lantejoulas sobre transfer em tecido de algodão
27 x 39 cm

Marta Neves
“Caçamba”, 2020
Bordado com miçangas sobre transfer em tecido de algodão

27 x 38 cm

Apresentamos duas pinturas recentes da artista, que marcam uma nova fase em seu processo. As chapas de alumínio são agora dobradas de forma a serem seu próprio suporte para fixá-la na parede, ou seja, a pintura tornou-se uma chapa única onde seu verso também pode ser pintado.

Tatiana Stropp
“11.02”, 2020
Óleo sobre alumínio
83 x 122 x 5 cm
(obra indisponível)

Tatiana Stropp
“21.02”, 2020
Óleo sobre alumínio
44 x 35 x 3 cm
(obra indisponível)

O artista recolhe ideias de coisas e objetos do nosso cotidiano e os reconstrói de acordo com sua lógica, recriando instrumentos musicais, elementos da natureza e da nossa cultura. Esta é uma obra recente que apresenta elementos como escala ampliada, rigor minimalista, memória e humor, qualidades presentes em boa parte de sua produção.

Washington Silvera
“Wafer”
, da série “Sweet Minimal”, 2020
Madeira de imbuia e caxeta
114 x 27 x 13 cm

Washington Silvera
“João & Gilberto”
, da série “Objetos Acústicos”, 2020
Madeira e marchetaria
84 x 23 x 18 cm

João & Gilberto faz parte da série ” Objetos Acústicos” iniciada em 2013, com várias de suas obras expostas em edições anteriores da SP-Arte. Nessa série o artista altera formas, dimensões e a disposição dos instrumentos, esvaziando-os de suas funções tradicionais para lhes atribuir sentidos poéticos.

Segunda à Sexta
Das 10h as 12h e das 13h30 as 17h

+55 41 3264-4752

R. Francisco Rocha, 62, Batel, Curitiba | PR